BC vê IPCA abaixo da meta em todos cenários até 2021

Banco Central também zerou a expectativa de crescimento para o ano em decorrência do avanço do coronavírus
26/03/2020 19:22 Economia
/ Foto: Reprodução/Folhapress/Raw Image
/ Foto: Reprodução/Folhapress/Raw Image

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central projetou inflação abaixo da meta em todos os seus cenários até 2021 e destacou que os desenvolvimentos relacionados à pandemia do coronavírus tiveram "papel fundamental" na queda das estimativas, com o mergulho no preço das commodities e perspectiva de fraqueza na economia anulando o impacto do dólar mais caro.

"De um lado, a depreciação acentuada da taxa de câmbio exerce pressões inflacionárias. De outro lado, a redução nos preços de commodities, com destaque para o preço do petróleo, exerce uma significativa pressão desinflacionária", disse o BC, em seu Relatório Trimestral de Inflação.

"No mesmo sentido, a queda na atividade econômica global e o aumento da incerteza econômica afetam negativamente a demanda agregada, também exercendo papel desinflacionário", acrescentou.

BC zera expectativa de crescimento da economia em 2020

Em todas as projeções condicionais divulgadas pelo BC nesta quinta-feira, o IPCA termina 2020 e 2021 abaixo das metas de 4,0% e 3,75%, respectivamente. Nos dois casos, as metas têm margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

Os números sugerem que um corte adicional da Selic, portanto, não ameaçaria o atingimento dos objetivos do BC.

No cenário com Selic e câmbio da pesquisa Focus, o cálculo do BC aponta um IPCA em 2,6% neste ano e 3,2% no ano que vem. Os cálculos consideram taxa de juros em 3,75% ao fim de 2020 e 5,25% em 2021, com dólar a 4,35 reais em 2020 e 4,20 em 2021.

Mesmo considerando o dólar constante em 4,75 reais e a Selic da pesquisa Focus, a perspectiva para o IPCA continua abaixo da meta, ficando em 3,0% neste ano e 3,6% em 2021.

Em relação à condução da política monetária, o BC reiterou mensagem de que vê como adequada a manutenção da taxa Selic em seu novo patamar, de 3,75% ao ano, mas destacando que a maior variância de riscos e novas informações sobre a conjuntura econômica serão essenciais para definir seus próximos passos.

Saiba como se proteger e tire suas dúvidas sobre o novo coronavírus

Diante do cenário negativo descortinado pelo coronavírus, o BC apontou que as projeções de curto prazo para a inflação foram significativamente influenciadas pelas cotações de commodities, em especial pela forte retração nos preços internacionais de petróleo, com reflexos rápidos sobre os preços domésticos de combustíveis.

"As implicações da pandemia sobre o segmento de serviços, notadamente sobre os preços de passagens aéreas, provavelmente irão se refletir nas leituras mensais de inflação, sobretudo a partir de maio", frisou a autoridade monetária.

De acordo com o BC, as medidas de inflação subjacente --que desconsideram preços mais voláteis-- estão em níveis compatíveis com o cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante para a política monetária.

Copyright © Thomson Reuters.

Fonte: R7

COMENTÁRIOS

Usando sua conta do Facebook para comentar, você estará sujeito aos termos de uso e politicas de privacidade do Facebook. Seu nome no Facebook, Foto e outras informações pessoais que você deixou como públicas, irão aparecer no seu comentário e poderão ser usadas nas plataformas do Olho Vivo News.