Fonte afirma que buraco na Soyuz MS-09 foi feito depois da montagem da nave

06/09/2018 06:45 Tecnologia e Ciência
Buraco na nave Soyuz MS-09 em foto de 5 de setembro. EFE/ cedida pela Nasa
Buraco na nave Soyuz MS-09 em foto de 5 de setembro. EFE/ cedida pela Nasa

O buraco que causou a perda de hermeticidade da Soyuz MS-09 anexada à Estação Espacial Internacional (EEI) foi perfurado após a nave ter sido totalmente montada, afirmou nesta quinta-feira uma fonte da indústria espacial russa citada pela agência oficial "TASS".

"O buraco foi perfurado quando o dispositivo já havia sido montado", disse a fonte, que pediu para não ser identificada.

Ele acrescentou que a Energuia, fabricante russa de naves espaciais tripuladas e de carga, decidiu revisar a Soyuz e os cargueiros Progress que se encontram em processo de montagem ou já foram enviados para a base de Baikonur, no Cazaquistão.

"Isto se refere a Soyuz MS-10 e MS-11, que serão lançados para a Estação Espacial Internacional em outubro e dezembro (deste ano), respectivamente. O cargueiro Progress MS-10, que será enviado à EEI em outubro, também será revisado", afirmou a fonte.

Por enquanto, ele acrescentou que a investigação realizada pela Energuia ainda não foi capaz de identificar os responsáveis que efetuaram um buraco de dois milímetros de diâmetro com uma broca em um dos quadros da Soyuz MS-09.

A única coisa que as autoridades russas têm clara é que a perfuração foi feita dentro do casco da nave.

Na investigação trabalham duas comissões, uma interna, do fabricante da nave, e uma criada pela Roscosmos, a agência espacial russa, cujo diretor-geral, Dmitry Rogozin, afirmou na última segunda-feira que descobrir o responsável pelo buraco é uma "questão de honra".

"Onde se realizaram essas ações? Na Terra ou no espaço? Não descartamos nada", insistiu Rogozin, ao garantir que o culpado pela perda de hermeticidade da nave será encontrado.

Ele não descartou que o buraco fosse produto de "ações premeditadas", em referência a uma possível sabotagem.

O deputado e ex-cosmonauta russo Maxim Surayev chegou a falar da hipótese de que o casco da Soyuz poderia ter sido perfurado por um membro da tripulação da EEI fora de si, ansioso para retornar à Terra.

Mais tarde, Surayev voltou atrás nas suas declarações e disse não duvidar do profissionalismo tanto dos cosmonautas, como dos construtores das naves, mas ressaltou que, qualquer que seja a causa, o surgimento de um buraco em um Soyuz é um "desastre".

A fonte citada hoje pela "TASS" indicou que a comissão da Energuia informará na próxima segunda-feira a Rogozin os resultados de sua investigação.

Por sua parte, o porta-voz da Roscosmos, Vladimir Ustimenko, disse que a agência espacial não fará comentários sobre o assunto até que os resultados das investigações sejam divulgados.

No dia 1º deste mês, os sistemas da EEI detectaram uma pequena perda de pressão resultante de um pequeno buraco no casco da Soyuz MS-09, que em um primeiro momento a Roscosmos atribuiu ao impacto de um micrometeorito.

Os cosmonautas russos a bordo da plataforma espacial, Oleg Artemiev e Sergei Prokopiev, consertaram o vazamento, após o que verificaram em duas ocasiões, com intervalo de várias horas, a hermeticidade do casco da nave.

A agência espacial russa indicou que o incidente em nenhum momento colocou em perigo a tripulação da EEI.

Fonte: Agência EFE

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